TrajetóriasPano de fundo

Trajetórias

Uma pergunta comum que se faz a uma criança, logo que ela começa a falar, é: “O que você vai ser quando crescer?” A questão, no fundo, é: “Qual será sua profissão?” Astronauta, jornalista, artista, atleta... as respostas variam.

Novos caminhos surgem com o tempo, e então aqueles sonhos da meninice ganham outros rumos, e as pessoas encontram satisfação nas formas mais originais de trabalho, como é o caso de Cláudio, que produz palmito no Pará. Algumas pessoas navegam mares para encontrar a felicidade, como fez Mara. Outras realizam aquele desejo infantil mesmo, como aconteceu com Renata. Conheça a história deles nesta unidade e fique atento para o uso dos pretéritos perfeito e imperfeito do indicativo nos depoimentos.

Caminhos profissionais

Todos têm um sonho na juventude: seguir uma carreira de sucesso. Às vezes, ele se realiza até por acaso, de modo bem diferente do planejado. Conheça alguns casos.

  • Bailarina por acaso (Renata)

    Termos úteis                                                               

    Dançar na ponta: passo de dança no qual as bailarinas se equilibram apenas com as pontas dos pés apoiadas no chão.

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    Renata: Na verdade não foi nada planejado. Quando eu era bem pequena, na escola tinha um balezinho, mas eu não me interessava muito, aí quando eu era… tinha uns nove anos, eu fazia uma dança que parecia jazz, assim, e não gostava de balé, mas gostava só daquilo, era muita diversão. Aí com treze anos, mas eu sempre tive a coisa de ir na escola, como eu tinha feito dois aninhos lá de ginástica jazz, eu na escola fazia as coreografias com as minhas amigas, pras festas, porque a escola era muito cheia de festas, trabalhava muito a cultura, então eu sempre pegava essa parte da dança, mesmo sem ter muita… muita experiência em nada, sem fazer aula de balé nem nada. E daí, com doze anos, eu resolvi entrar no jazz, e eu não gostava de balé, achava balé terrível, chato, monótono. E aí comecei a fazer jazz, e daí eu acho que eu fui pra uma academia grande, pra um estúdio grande de dança. E daí na primeira noite de… de espetáculo de final de ano, que junta todos os alunos, tal, eu dançava no primeiro ato e depois ia lá pra frente assistir, pro… pra platéia assistir os meus colegas. E daí vi aquelas meninas mais velhas, dançando na ponta, lindamente, aí eu fiquei encantada, aí… eu acho que no primeiro dia eu tenho muito essa sensação: que quando eu vi aquilo, eu vi que era o que eu queria fazer da minha vida. E daí depois di… e eu já era velha, isso eu tinha treze anos, eu já era velha pras meninas que faziam balé. Aí com catorze anos eu entrei no balé, fazia aula com as pequenininhas, aí fazia tudo que era aula, passava o dia na academia, eu até faltava à escola, e logo já fui colocada… como eu tinha muito interesse, logo eu já fui colocada pra substituir aula, assim uma loucura, tipo um ano de aula de balé eu já tava dando aula de baby class, assim. Mas aí foi isso, eu descobri assim, vendo um espetáculo.

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    Renata: Actually it wasn’t planned. When I was really young there was a sort of ballet class at school, but I wasn’t too interested, then when I was around nine I took some classes that were similar to jazz, and I didn’t like classical ballet, but I liked the jazz class, it was a lot of fun. Then at thirteen, but I always had this thing about going to school, and since I had taken jazz gymnastics two years there, I would do some choreographies with my friends, for the parties, because the school would have a lot of parties. It focused a lot on culture, so I would always be in charge of the dance, even with limited experience, without having taken classical ballet or anything. Then at twelve I decided to start jazz, and I did not like classical ballet, I thought it was terrible, boring, monotonous. So I started taking jazz and I think I went to a big academy, to a big dance studio. Then at the first night of… end of the year recital, where all students perform, I would perform in the first act and go to the audience to watch my friends perform. I would watch those older girls dancing en pointe, beautifully, and that amazed me… I think I have this feeling about the first time: when I saw that, I realized it was what I wanted to do in life. And then, I was older, I was thirteen, past the age that girls would start ballet. So, at fourteen I started taking ballet classes, I had lessons with the little kids, I started taking all kinds of classes, I would spend all day at the studio, I would even miss school, and I was chosen… since I had shown so much interest, I started subbing, it was crazy, like after only a year taking classical ballet I was teaching little kids like that. So that was it, I found out watching a recital.

  • Que trabalheira! (Mara)

    Termos úteis

    Aluguel: preço mensal pago para se morar, por um tempo determinado, em uma casa ou apartamento.

    Fazer o pé: também se utiliza o termo pedicure, que significa cortar, lixar e colocar esmalte nas unhas dos pés.

    Vencer: ganhar, triunfar, obter vitória.

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    Mara: Trabalhava noite e dia, domingo e feriados pra comprar um apartamento pra b... pra não pagar aluguel. E venci, comprei meu apartam... com onze meses de Brasil tinha meu apartamento, na Toneleiros, no cen... no 186. Mas trabalhava muito, domingo ia pra casa das freguesas, almoçava lá, fazia pé, mão, sobrancelha, e até limpeza de pele fazia! E foi a minha vida, se... a minha vida aqui no Brasil só foi trabalhar. E praia.

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    Mara: I worked day and night, Sundays and holidays to afford buying an apartment so I wouldn’t pay rent. And I made it, after eleven months in Brazil I owned my apartment, at 186 Toneleiros St. I worked a lot, tough, on Sundays I would go to my clients’ houses, would have lunch there, would do pedicures, manicures, eyebrows, even facials! And that was my life, my life here in Brazil was work only. And going to the beach.

  • Músico e policial (Pinduca)

    Termos úteis

    Dom: habilidade inata para fazer algo.

    Fazer carreira: evoluir na profissão e no trabalho.

    Natural de: nascido em.

    Servir o exército: prestar o serviço militar.

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    Pinduca: Olha, eu acho que cantar, eu já era cantor desde garoto, compositor também, eu acho que eu trouxe de dom. Sou compositor popular. Eu sou natural de Igarapé-Miri, como já falei, eu vim morar em Belém dep... na... aqui em Belém eu passei a trabalhar como músico, trabalhei nas melhores orquestras de Belém, ah... depois eu fui pra Polícia Militar, primeiro servi o exército, saí do exército fui servir a Polícia Militar, fiz carreira, entrei como soldado e sou hoje tenente da Polícia Militar. Então é mais ou menos uma trajetória por aí.

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    Pinduca: Well, I think that I’ve been a singer since childhood, also a composer, I think I had the gift. I’m a pop composer. I’m from Igarapé-Miri, as I said, I came to live in here Belém and I started to work as a musician, I worked with the best orchestras in Belém, then I went to be a policeman, first I was in the military and when I left I had a career as a policeman, I started as a soldier and today I’m a Lieutenant. So this is kind of my life path.