Na internetLeitura

Na internet Leitura

Leia a reportagem (abaixo do Glossário), publicada pela revista Veja de 20 de novembro de 2002, sobre brasileiros que procuram romance pela internet. Embora muito tenha mudado desde essa época, que marcou o início da paquera on-line, uma coisa é certa: os sites de relacionamento não param de crescer no Brasil. Após a leitura, faça as atividades que se encontram abaixo do Glossário.

Glossário

Alcunha: apelido.

Apontar (para): indicar.

Boate: danceteria.

Conversa fiada: conversa sem compromisso, papo-furado.

Dar tiro n’água: praticar uma ação que não irá gerar resultado algum.

Descabelado: despenteado.

Descartar: rejeitar.

Desimpedido (gíria): livre para namorar.

Emperiquitar-se: enfeitar-se de modo exagerado.

Encalhado (gíria): pessoa solteira que não namora há muito tempo.

Engatar: iniciar.

Faturar: lucrar.

Gato (gíria): homem bonito.

Mulherão (gíria): mulher atraente.

Namoro: romance.

Paquerar: flertar.

Para lá de: muito, extremamente.

Rolar (gíria): acontecer.

Sujeito: pessoa, indivíduo.

Teclar: digitar, comunicar-se por meio do computador ou de mensagem de texto no celular.

Topar com: encontrar-se com.

Topar: aceitar.

Varar a madrugada: passar a noite sem dormir.

Viciado: que tem vícios [addicted].

Leitura

Por que milhões de brasileiros resolveram procurar um romance pela internet 

DANIELA PINHEIRO

A executiva paulistana Esther Jagosehit, 30 anos, é um mulherão. Loura, alta, magra, tem olhos azuis, sólida formação intelectual e ganha o suficiente para levar uma vida para lá de confortável, com freqüentes viagens ao exterior, carro do ano e casa própria. Esther provoca tanto furor entre o público masculino quanto mexe com as mulheres a presença do ator Renato Bizone, herdeiro do grupo Brasimac, um império que fatura anualmente 100 milhões de reais. Aos 27 anos, sempre citado em colunas sociais, ele ostenta um currículo amoroso que inclui a apresentadora do Fantástico, Glória Maria, e uma dezena de modelos. Alguém diria que ambos estão procurando um relacionamento pela internet? Pois, pasme: eles estão. A presença nos sites de namoro de gente como Esther, inscrita sob a alcunha de "garota do campo", e Bizone, que usa o apelido "boyIIgirl", aponta para um curioso fenômeno: a internet deixou de ser refúgio para quem sempre teve problemas amorosos para se tornar uma eficiente ferramenta mesmo para quem nunca encontrou dificuldade em arrumar namoro

Atualmente, quase todo mundo tem um amigo, um parente, um vizinho que conheceu alguém pela internet. Esse tipo de encontro se tornou assunto recorrente em qualquer mesa de bar. A percepção da mudança no perfil de quem procura namoro pontocom pode ser amparada por dados significativos. Estima-se que cerca de 3,5 milhões de pessoas estejam inscritas nos sites de relacionamento em todo o país. É um número que corresponde a quase 10% dos solteiros brasileiros. Estudos recentes apontam que, em três anos, pelo menos 50% dos desimpedidos dos países do Primeiro Mundo vão conhecer um parceiro on-line. A conversa poderá parar no estágio eletrônico. Algumas poderão ir adiante. É por isso que a procura pelos sites especializados só cresce. Nos últimos meses, foram lançados cinco sites, somando um total de mais de vinte no Brasil. O maior deles, owww.parperfeito.com.br, fatura só com a mensalidade dos inscritos mais de 1 milhão de reais por mês. Basta uma olhada rápida nas fotos dos pretendentes on-line para ter a medida de como a galeria de tipos mudou. Ali não estão mais só os fora-de-forma, os nerds ou os carentes profissionais. Há gente atlética, bonita e estudada. No sitewww.comovai.com.br (300.000 inscritos), 65% dos usuários têm curso superior. Nowww.almasgemeas.com.br (700.000 inscritos), boa parte das fotos exibidas nos perfis dos inscritos foi feita em viagens internacionais. No ParPerfeito, a maioria dos usuários é formada por profissionais das áreas de comércio e administração de empresas.

Houve um tempo em que discotecas e bares de paquera eram a grande esperança dos corações solitários. Era sentar a uma mesa com amigos, pedir as bebidas e aguardar. Dali a pouco chegava um "torpedo" (bilhete de paquera entregue pelo garçom) ou alguém com uma conversinha fiada. Era preciso muita paciência e disposição para manter um papo. Ainda assim, a chance de engatar um romance quase sempre beirava o zero. É essa a questão de quem está em busca de um namoro on-line. A maioria absoluta das pessoas que se propõem a sair com alguém que conheceu na internet está cansada de gastar tempo e saliva com gente que acredita não valer a pena. "As pessoas não se casam com o namorado de escola, adiam o casamento por causa da vida profissional e, muitas vezes, a carreira as obriga a mudar de cidade – o que significa abrir mão do tradicional círculo de conhecidos", diz a psicanalista paulista Anna Verônica Mautner. "Soma-se o fato de trabalharem muito, sobrando pouco tempo para se socializarem. As horas disponíveis acabam sendo muito preciosas."

Esse tipo de questão aflige quem é bonito e quem não é. Quem é gordo e quem é magro. O alto e o baixo. "É por isso que pessoas que tradicionalmente nunca imaginaram marcar um encontro pela internet migraram para o ciberespaço. Depois de terem caído por terra os estereótipos de que a internet é lugar de gente desinteressante, não há como não aderir", diz a paulistana Marly Kotujansky, uma das sócias do site Comovai, que fatura 300.000 reais por mês. É verdade. Por ser possível escolher com exatidão o tipo de pessoa que se está procurando, a sensação de eficiência na paquera parece ficar saciada. A possibilidade de fazer essa pré-seleção é um dos aspectos positivos. Você simplesmente descarta aquele sujeito que assumiu ser um consumidor voraz de livros de auto-ajuda ou a garota fumante sem precisar ter gasto horas contando onde passou a infância ou qual é sua opinião sobre a culinária japonesa. Outra vantagem: através dos sites de namoro, é possível conhecer gente de profissões e cidades que jamais se imaginou. Na vida real, a chance de uma geóloga de Ribeirão Preto conhecer um barítono paraense é mínima. Se estão inscritos em um site na internet, eles podem receber um e-mail dizendo que a afinidade entre ambos é de 100%. E está feito o contato. 

"O que acho fantástico é a possibilidade infinita de encontros. Dá para marcar sete jantares com sete mulheres diferentes em uma semana. É uma loucura", diz o empresário Alexandre Boz, 32 anos, um adepto fervoroso de paqueras pelo ICQ, o mais popular programa de mensagens instantâneas da rede. Curiosamente, ele compara a escolha de uma eventual paquera a uma ida ao shopping. "Você vai vendo aquelas fotos, lendo aqueles perfis e escolhendo. Parece que está indo às compras. Descarta essa, guarda aquela. Eu não tenho problemas de relacionamento. Ao contrário. Estou saindo com várias mulheres, nenhuma que conheci na internet, mas acho a engrenagem fascinante. É quase entretenimento", diz. Na avaliação dos especialistas, a internet também tem desempenhado papel fundamental na tradicional guerra dos sexos. Protegidos pelo anonimato, os homens costumam ser mais sensíveis e as mulheres mais ousadas na hora de paquerar on-line. Eles se sentem confortáveis em mandar poesias ou cartõezinhos virtuais, enquanto elas ficam mais à vontade para expressar sua sexualidade sem repercussões machistas. "É muito saudável deixar esse lado transparecer. Ainda que isso esteja sendo mantido no plano virtual, pode ser um bom passo para que esse comportamento seja adotado nas relações cara a cara", diz o psiquiatra Ronaldo Pamplona da Costa.

Os encontros pela internet subverteram a ordem de como se engata um namoro. Se na paquera tradicional a aparência física é um desempatador, nas conversas on-line se torna um mero detalhe. Como as primeiras conversas são anônimas, as pessoas se sentem mais propensas a ser honestas e a deixar transparecer suas emoções. "Mesmo que dê errado, a pessoa se sente menos ofendida. Ela foi recusada pelo discurso, não pela aparência. Não se sente ferida narcisisticamente. É como se dissesse: 'Não fui eu o recusado, foi a personagem que criei'. Isso é interessante", comenta o psicanalista carioca Joel Birman. A vendedora carioca Carolina Campos, 22 anos, ressalta outro aspecto: "Passei horas falando com pessoas interessantes quando eu já estava de pijama, descabelada, sem maquiagem. É uma maravilha não precisar gastar um tempão para se arrumar e conhecer alguém", diz ela, que já varou madrugadas nos sites de paquera do UOL até conhecer o namorado em uma das salas de bate-papo.

Há dois perfis definidos de quem está conhecendo pessoas pela internet. O primeiro é o sujeito que se inscreve em um site de namoro com o objetivo claro de sair com alguém. Ele paga uma mensalidade, expõe sua foto, dá detalhes sobre seus gostos pessoais e especifica quem quer conhecer. Nessa categoria, 95% das pessoas estão dispostas a sair de casa para se encontrar com um estranho escolhido via internet. O outro tipo é chamado de navegador "desbravador". É o internauta que se aventura esporadicamente em salas de bate-papo e só depois de muita conversa topa um programa pessoalmente. A experiência mostra que, nesse caso, um contato ao vivo é raríssimo: fala-se antes com cerca de quarenta interlocutores para confirmar um único encontro.

Mas, afinal, o que querem as pessoas que buscam um namoro pela internet? O banco de dados do ParPerfeito aponta que os traços de caráter mais especificados são diferentes para ambos os sexos. Eles querem conhecer uma mulher bonita e independente. Elas, um homem companheiro e bem-humorado. "Mas, no fundo, o que querem é outra coisa. Homens querem sexo. Mulheres, achar o príncipe encantado", afirma o sexólogo carioca Charles Rojtenberg, que durante oito anos entrevistou 5.000 freqüentadores de salas e sites de namoro para tentar responder à pergunta. Esse é o ponto. A maioria das mulheres realmente quer um envolvimento sério. Já os homens vêem na internet um instrumento eficaz para encontros furtivos e casuais. Ou seja: sexo sem compromisso. Na avaliação de Rojtenberg, isso não significa que as relações iniciadas pelo computador estejam fadadas ao fracasso. O que é preciso é saber dar a dimensão exata a esse tipo de relacionamento. "O fundamental é ter claro que a internet é um excelente lugar para conhecer pessoas. Não significa que você vai se casar com elas", comenta. Segundo sua pesquisa, apenas 2% das relações que nascem on-line resultam em casamento. O restante não ultrapassa o jantarzinho, uma ida ao motel ou uma viagem de fim de semana. O fotógrafo Carlos Eduardo Niemeyer, 48 anos, neto do arquiteto Oscar Niemeyer, está inscrito no Comovai. "Em geral, sou um cara tímido. Não entrei com intenção definida. Queria simplesmente ampliar o leque das pessoas que conheço. E isso realmente aconteceu", afirma.

Com a mesma freqüência com que se ouve falar das maravilhas dos encontros pela internet se escutam casos bizarros. Todo mundo sempre tem uma história horrorosa para contar. A do sujeito apaixonado que foi se encontrar com um pitéu de 25 anos, que na verdade era um senhor homossexual de 56. A da moça que se dizia 'um pouco acima do peso' e, de fato, estava com 165 quilos. Ou a da jovem que deu muito dinheiro a um picareta que a tinha pedido em casamento depois de um mês de bate-papo na internet. De fato, há uma coleção perturbadora de casos dessa ordem. Ninguém duvida que, numa conversa entre dois desconhecidos, possa haver boa dose de mentira e fantasia. "Mas, em geral, são mentiras prosaicas ligadas à fantasia do que se pretende ser. Mulheres mentem sobre sua aparência porque sabem que são julgadas por isso. Homens mentem sobre o status social porque também são cobrados socialmente nesse sentido", afirma o psiquiatra paulista Luiz Cushnir. É evidente que existem homens e mulheres de péssimo caráter on-line. Mas você poderia topar com qualquer um deles em um restaurante ou mesmo no cafezinho de sua empresa.

Em geral, tem-se a impressão de que as teorias sobre a falibilidade dos encontros pela internet são mais baseadas em preconceitos que em fatos. Como se só fosse possível conhecer a pessoa ideal na faculdade (visão tradicional) ou numa trombada de carrinhos de supermercado (visão super-romântica). É como se houvesse algum código velado que proibisse as pessoas – principalmente as mulheres – de colocar sua foto, dizer o que esperam de alguém e, finalmente, poder achar uma pessoa interessante para se relacionar. A principal vantagem da internet é possibilitar os encontros. É evidente que o resto da paquera vai ficar por conta dos envolvidos. Como em uma relação em que os dois foram apresentados por amigos em comum. A advogada paulistana Renata Malagoli, 25 anos, namora há seis meses o publicitário Rogério Barcellos, 30 anos, que conheceu num site de namoro. Ambos são jovens, bonitos e bem-sucedidos e vêm de famílias com dinheiro. "Eu sempre achei que ia encontrar um cara como ele na praia, em uma viagem pela Europa, sei lá. Mas nunca aconteceu. Percebo que algumas pessoas olham estranho quando digo que o conheci na internet. É puro preconceito. O que importa é que estamos no maior amor", diz.

Ao que tudo indica, as relações que parecem dar certo são as construídas com o menor grau possível de expectativa. "É um erro achar que só porque você teclou dias com alguém virou íntimo da pessoa. É preciso saber que, ao se encontrarem, vocês serão dois estranhos da mesma maneira. É necessário começar todo o processo de conhecimento de novo", observa a psicanalista Magdalena Ramos, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É evidente que há uma série de posturas que a pessoa deve ter em mente antes de iniciar uma paquera pela internet. A principal delas diz respeito a você mesmo. Os especialistas aconselham a pessoas carentes e solitárias jamais se envolver em relações virtuais. "Como está fragilizado, esse tipo de temperamento se torna um alvo fácil para pessoas mal-intencionadas", explica a psicoterapeuta paulista Lídia Aratangy. Também é importante se preservar ao máximo, mesmo que a conversa pela internet seja empolgante. Jamais dê seu endereço ou o telefone de sua casa. É tão arriscado quanto sair distribuindo seu cartão de visita pela arquibancada de um jogo de futebol. E principalmente: nunca acredite de cara em tudo o que a outra pessoa escrever. O tempo e a convivência vão dizer se você deve ou não dar a ela um voto de confiança. Antes disso, só preste atenção. E saiba: tendo ou não encontrado alguém para um relacionamento amoroso, ninguém se arrepende de ter se inscrito nos sites. Todos concordam que é um excelente manancial para fazer amigos, conhecer pessoas diferentes e, sobretudo, inflar o ego. Receber trinta mensagens de pessoas que o acharam o máximo e querem conhecê-lo triplica a chance de você ter companhia durante suas vazias noites de sábado. E, nesse caso, não faz a mínima diferença ser um parceiro pontocom.

 

"Muita gente estranha quando eu digo que estou inscrita em um site de namoro. Sei que a maioria pensa: 'Ah, coitada, teve de ir para a internet porque está encalhada'. Pois eu digo: isso é ridículo. Nunca fiquei encalhada ou sem namorado na minha vida. O que ocorre é que eu simplesmente cansei de dar tiro n'água. Cheguei a um ponto em que não tenho mais idade nem paciência para ficar contando a história da minha vida ou tentando mostrar quanto sou legal para um zé-ninguém que eu tenha conhecido em um bar. Pela internet, consigo peneirar exatamente as pessoas que procuro, que pensam como eu, que querem o mesmo que eu."
ESTHER JAGOSEHIT, executiva, 30 anos

 "Passei por um momento em que estava absolutamente viciado na internet. Ficava madrugadas conversando com dezenas de mulheres, rolava um clima ótimo. Só tive o prazer de falar com gente bacana. Minha experiência de conhecer alguém ao vivo também foi excelente. Eu digo: há muita gente interessante on-line. Ela era maravilhosa, charmosa, uma gata. Eu adorei. Na hora, não fazia a mínima diferença se tínhamos sido apresentados por um amigo em comum ou se tínhamos apenas nos falado pelo computador. Acho muito saudável viver essa fantasia do pré-encontro. Você fica imaginando a pessoa, como ela é, com quem se parece. O encontro é sempre uma surpresa."

RENATO BIZONE, ator, 27 anos

"Comecei a teclar com algumas pessoas sem maiores intenções. Eu tinha acabado de me mudar de cidade, estava meio sozinha e aquilo ali foi uma grande companhia para mim. Passava um tempão conversando on-line. O que eu mais gostava era poder trocar mil idéias, como se você estivesse num barzinho, sem precisar me emperiquitar toda. Ficava em casa à noite, de pijama, descabelada, mas me sentia num compromisso social. Um dia, comecei a falar com um sujeito que me pareceu especial. Ele tinha tudo a ver comigo, era inteligente e bem-humorado. Hoje, estamos namorando."
CAROLINA CAMPOS, vendedora, 22 anos

"Apesar de viver sempre rodeado de gente, sou um sujeito relativamente tímido. Consigo me expressar muito melhor escrevendo do que falando. Foi por essa razão que a internet se tornou um hábito na minha vida. De uma hora para outra, passei a me relacionar com uma série de pessoas que jamais imaginei encontrar no meu dia-a-dia. Isso é muito enriquecedor. Não entrei na internet com um objetivo definido. Queria simplesmente ampliar o leque de pessoas que conheço. E foi o que aconteceu."
CARLOS EDUARDO NIEMEYER, fotógrafo, 48 anos

"Foi idéia das minhas amigas me inscrever nos sites de namoro. Eu recebia vários e-mails por dia de gente querendo me conhecer. É uma maravilha para o ego. Um dia, chegou a foto do Rogério. Eu pensei: 'Que gato! Não é possível!'. A gente foi se falando e descobrindo coisas em comum. Freqüentávamos os mesmos lugares, tínhamos quase a mesma rotina, mas nunca havíamos nos encontrado. Sempre achei que fosse conhecer um cara como ele na praia ou numa viagem pela Europa. A maioria das mulheres cultiva essa fantasia romântica. Imaginar que vai conhecer alguém pela internet sempre soou estranho. Mas foi assim que achei o homem com que sempre sonhei."
RENATA MALAGOLI, advogada, 25 anos

"Na minha opinião, o mais interessante da internet é a possibilidade de você praticamente encomendar alguém. Há tantos filtros para chegar a um perfil que seja compatível com o que você espera que no mínimo amizade você vai fazer com a outra pessoa. É evidente que há exceções. Conheci cerca de quinze mulheres pessoalmente. Posso dizer que pelo menos dez foram um erro, mentiram. A maioria disse que estava em forma. Na verdade, estavam bem acima do peso. Mas cinco foram sensacionais. Acho que isso já é excelente. Imagine: se você for a uma boate ou um barzinho dificilmente vai conhecer uma pessoa interessante. Que dirá cinco! Ter encontrado alguém como a Renata me parecia quase impossível. E agora veja só: tudo por causa de um anúncio num site de namoro."
ROGÉRIO BARCELLOS, publicitário, 30 anos

 

A HORA DE TECLAR

Durante oito anos o sexólogo carioca Charles Rojtenberg entrevistou 5000 usuários de chats de namoro e sites de relacionamento em todo o país. O resultado é surpreendente. Confira o que diz a pesquisa:

- Apenas 2% das pessoas se casam com alguém que conhecem on-line. Em apenas um caso, o casamento durou mais de um ano

- Mulheres querem namorar

- Homens querem sexo

- A maioria mente sobre os dados pessoais

- A maior parte dos homens que está on-line é casada ou mantém uma relação estável

A CANTILENA QUE CONVENCE

Há um certo padrão de comportamento usado durante a paquera pela internet. Confira o que é mais usual para fisgar ou espantar alguém on-line:

O que impressiona:

- Escrever em português corretíssimo

- Homens que mandam poesias- de bons autores, claro

- Mulheres objetivas que falam sobre sexo sem parecer vulgares

- Colocar fotos de viagens junto ao perfil

O que decepciona:

- Vocativos como “Oi, gata” ou “Oi, princesa”

- E-mails respondidos muito rápido. Em geral indicam que a pessoa produziu mensagens-padrão para enviar a vários destinatários ao mesmo tempo

- Quem escreve três, quatro e-mails seguidos antes de receber uma resposta. Parece atitude de psicopata carente

- Quem entope a caixa postal do outro com correntes, piadas ou mensagens esotéricas

É TUDO DE BOM:

São inúmeras as vantagens de paquerar pelo computador. A seguir, algumas delas:

- É possível selecionar quem mais se aproxima de você e descartar quem não tem nada a ver

- Pode-se paquerar de pijama

- Ter sete encontros com sete pessoas diferentes durante uma semana

- Conhecer gente de profissões e cidades que jamais se imaginou

- Mães sozinhas podem paquerar sem ter de pagar uma babá

- Homens tímidos podem encarnar dom-juans

- Mulheres conseguem expressar sua sexualidade sem temer rótulos preconceituosos

EU QUERO UM NAMORO PONTOCOM*

Antes de engatar uma relação virtual é conveniente informar-se sobre alguns códigos de conduta fundamentais para evitar picaretas, psicopatas e decepções amorosas. A seguir, alguns deles:

- Trate sua carência antes de entrar na internet. Pessoas carentes se tornam presas fáceis dos mentirosos e sedutores de plantão

- Evite mentir sobre sua idade ou aparência. Se alguém gostar de você, isso pode ser a origem de uma grande decepção dificilmente perdoada

- Prefira os sites que incluem fotos no perfil dos inscritos

- Mesmo depois de muitos e-mails, nunca informe o telefone de sua casa. De preferência, dê o número do celular

- Salvar as mensagens trocadas no início da conversa é um bom recurso para ver se a outra pessoa não está caindo em contradição

- Marque sempre encontros em locais públicos, como shoppings ou cafeterias

- É cristalino: casados inscritos em sites de namoro só estão em busca de sexo fácil

- Se você estiver procurando algo sério, não use apelidos insinuantes, como “Gatinha Manhosa” ou “Taradão do Rio”. Mas, se a idéia for sexo casual, vá em frente

- Se o parceiro sumir por duas semanas, ele pode estar viajando a trabalho. Se sumir por três, esqueça-o. É o jeito de dizer que não está mais a fim

- Desconfie de quem pergunta muito e revele pouco sobre si mesmo. E, sobretudo, jamais acredite e tudo o que está escrito. Confie desconfiando

* Fonte: Livro Amor na Internetde Alice Sampaio

ELES QUEREM A BONITA. ELAS, O COMPANHEIRO

A partir dos dados de cerca de 1 milhão de cadastrados no maior site de relacionamento do país, o ParPerfeito, é possível se ter uma idéia de que são e o que querem as pessoas que buscam namoro pela internet:

50,5% SÃO HOMENS

Área profissional*

- Internet

- Comércio

- Administração de empresas

- Saúde

Procuram uma mulher*

- Bonita

- Independente

- Segura

- Companheira

- Inteligente

- Bem-humorada

- Honesta

49,5% SÃO MULHERES

Área Profissional*

- Educação

- Comércio

- Administração de Empresas

- Saúde

Procuram um homem*

- Companheiro

- Bem-humorado

- Sincero

- Honesto

- Carinhoso

- Disposto a um relacionamento sólido

*Por ordem decrescente de incidência

FAIXA ETÁRIA DOS USUÁRIOS

21% até 18 anos

30% 19 a 24 anos

29% 25 a 34 anos

20% acima de 35 anos

© 2002, Abril Comunicações S.A., Revista Veja.